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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

[conto-curto] Foi tudo um sonho

[escrito para a Semana Surreal , da comunorkútica  CONTOS FANTÁSTICOS, sob o pseudônimo "Big Nemo"]

Rodrigo acorda suado, assustado, coração batendo forte, o corpo tremendo todo . É o suor que esfria rápido sobre a pele, é também o gosto ruim que fica na boca, do sonho de quejá não se lembra.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

[miniconto] O Brechó da Vó


[escrito para o concurso de junho/2012 da comunorkútica Contos Fantásticos - tema: "Fantasia Urbana"]

Todo mundo no velho bairro conhecia o brechó daquela velha senhora, sempre à porta da lojinha, tomando sol, fumando seu cigarrinho, trocando prosa com algum conhecido, recebendo com um sorriso gentil e sem formalidades qualquer freguês novo ou velho: as portas sempre abertas para o interior tomado por um certo cheiro a suor decantado, roupa suja amadurecida, e que não era desagradável, ainda nem todo freguês em potencial o ambiente, uma certa agorafobia de saldos de liquidação de outras épocas . Não havia traço de naftalina naquele ar quase aconchegante.

sexta-feira, 9 de março de 2012

[conto-curto] O Apocalipse Segundo Seu João

[ escrito para o concurso de Março/2012 da comunorkútica CONTOS FANTÁSTICOS - tema: Morte.]

Então, esse é o fim do mundo,é o que andam dizendo por aí. Eu não sei, não sei de nada, acho que o mundo está acabando desde que eu era menino, era o que todo mundo sempre dizia: que está tudo pela hora da morte... que o mundo acaba o mais tardar amanhã.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

[conto] Os sapatinhos vermelhos

[escrito para o concurso de Novembro/2011 da comunorkútica CONTOS FANTÁSTICOS - tema: "Andarilhos"]

Clyde segurava o ritmo  : o rugido da respiração, o baticum no peito, os pés mal tocando o chão. Sem parar, e constante: Clyde mantinha o mesmo ritmo por todos os anos em que durava essa sua maratona particular.
 

sábado, 17 de setembro de 2011

[conto-curto] Punho vence Espada que vence Revólver

[escrito para o Concurso de Setembro/2011 da comunorkútica CONTOS FANTÁSTICOS - tema: Western.]


"O sujeito que perde o duelo não é o que saca sua arma por último. Perde o duelo o infeliz que pisca primeiro."( velha lei do Oeste)


Havia essa casa em São Francisco, sabe: nos velhos tempos. Quando todo mundo vinha a São Francisco investir seu dinheiro suado, quer dizer: quando todos vinham a São Francisco apostar suas vidas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

[conto] Beijo de Narciso



 
"O melhor sexo é o sexo solitário."(punheteiro anônimo)


É claro que José Maria já sonhara com seu próprio ménage à trois; que seria, ao menos no seu ponto de vista punheteiro e alucinado, uma segunda perda da virgindade. O que não deixara de ser verdade, pois, quando a fantasia se tornou realidade, trouxe um componente extra que José Maria não esperava, tampouco planejava - certamente, nunca imaginara que teria, algum dia, uma primeira experiência homossexual , enfiada em sua fantasia erótica predileta,   e que fosse gostar.

E foi tudo muito confuso desde o início, e não melhorou depois do final:

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

[conto] Fluxo de consciência


Desatenta, aparvalhada como de costume, Janete demorou um pouco a perceber seu estado agudo de corrimento mental e, quando afinal se deu conta da gravidade da situação, sequer teve tempo para aceitar que era tarde demais para chamar qualquer torneiro mecânico, tapar os vazamentos.

domingo, 7 de agosto de 2011

[conto-curto] o monstro da semana : Basilisco


Sim,sim, aproxime-se caro senhor, não se acanhe, rá, rá. Fique à vontade para examinar minhas peças - ora, pode tocá-las, aliás, insisto para o que faça. Minhas esculturas são tão sólidas quanto belas.

domingo, 17 de abril de 2011

[miniconto] círculos viciosos tomada 2: de volta à foz

CÍRCULOS VICIOSOS,TOMADA DOIS: DE VOLTA À FOZ
 
Era a única maneira, o único jeito de escapar daquele complexo labiríntico de cavernas: murmurando nervoso, impulsivo, aquela cantiga cuja letra ele mal lembrava - quem a cantara?onde a ouvira, mesmo?...- o viajante empurrou a canoa frágil para dentro do rio subterrâneo, caudaloso.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

[conto-curto] o sexo dos demônios

O SEXO DOS DEMÔNIOS
Muriel se recolhera para o canto mais calmo, o mais solitário, do jardim de inverno, na hora do chá, depois da aula de catecismo enocheano. As dores de cabeça estavam piores e ela queria estar a sós com seu pequeno tormento, com o pavor da eclosão iminente da puberdade.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

[microconto] o monstro da semana: hidra de lerna

O MONSTRO DA SEMANA: HIDRA DE LERNA
 
O herói encontrava-se num impasse, na conquista daquele reino bárbaro: a cada soldado inimigo morto, dois surgiam , ainda mais aguerridos, para tomar seu lugar naquela guerra infindável através de charnecas pestilentas,uma barreira natural que zombava do número, da força do formidável exército invasor.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

[microconto] balde de debutantes

BALDE DE DEBUTANTES

O ogro aceitou com desdém as oferendas da vila. A safra não fora das melhores, mas satisfaria seu pobre estômago por mais quinze anos.


[EDIT 15/06/11
12o. colocado na categoria nanocontos, do 3o. Concurso de Minicontos do Estronho e Esquésito]

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

[imagem/conto] história antiga 2

HISTÓRIA ANTIGA II



(padrão extraído do programa DAEDALUS - modelo "Flat Chartres")


...traduzindo a confusão:

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

[imagem/conto] história antiga

HISTÓRIA ANTIGA
(criado para o Super-Concurso de Janeiro/2011 da - advinha - comunorkut Contos Fantásticos)


(padrão obtido apartir do programa DAEDALUS )

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

[conto] círculos viciosos,tomada dois: o fractalista

CÍRCULOS VICIOSOS,TOMADA 2: O FRACTALISTA
Virando à direita, depois à direita de novo e mais uma vez...e outra ainda? Ansioso para chegar ao ponto de partida, começar tudo de novo, tomar outro rumo, caçar um retorno, um ponto de virada em outra direção,mas,não: cada virada à direita numa esquina levando Aquiles cada vez mais para longe.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

[conto] o ladrão de beagá

O LADRÃO DE BEAGÁ

Há histórias que não têm como acabar bem. Não dá.
Nem toda história serve para todo mundo. Nem toda história acaba bem pra todo mundo.
Muitas vezes, a gente pode apenas protelar o fim da história, emendá-la noite após noite, mil noites, mil e uma se preciso. Sempre em busca de uma solução satisfatória .
Afinal, quem teria coragem de contar histórias de fadas para um menino de rua? "E todos viveram felizes para sempre"?...
 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

[mini-conto] lugares comuns: torre de marfim

LUGARES COMUNS:TORRE DE MARFIM
 
M, o Impoluto, dirigia-se em silêncio majestoso para o lugar de comando, à frente de seu imensurável exército. Caminhava só, sem cortejo,altivo, seus milhares de soldados e escravos, com as cabeças baixas até o pó, a sua volta. Caminhava orgulhoso como o sol no céu nú pelas ruas de seu palácio de verão, que era também seu quartel-general ; aquela cidadela alva, a jóia na coroa do reino, com suas torres inigualáveis de cujas janelas jorrava doce leite em cascatas, e as ruas tão amplas como rios caudolosos: por onde o rei caminhasse, seus súdios se ajoelhavam formando um pavimento vivo, para que Sua Majestade caminhasse sobre suas costas e jamais tocasse o solo impuro.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

[conto] somente para seus olhos

SOMENTE PARA SEUS OLHOS

O bando fanfarrão de marinheiros, de folga, no fim da noite, no fim do soldo: já haviam explorado os piores cantos da cidade baixa, já estavam reduzidos aos últimos tostões. bêbados, meio exaustos, meio excitados: parados no meio-fio, na entrada de uma das infames casas de "peephole" da cidade, a placa em neon exibindo o genérico "SSSS":
as lâmpades chiantes, ci-ci-antes, acendendo-se em série,
SSSS
SSSS
SSSS
SSSS
SSSS

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

[conto] monstro da semana: coelhinhos de poeira

MONSTRO DA SEMANA: COELHINHOS DE POEIRA

"Despencando através das rachaduras da realidade"...
A Rainha Lindalva , montada em seu fiel ácaro, Mercúrio, contemplava seu reino sem fim e suspirava , satisfeita, completa. Até onde a vista alcançava, para frente, para trás: o desfiladeiro imenso-mundo , um entre inúmeros, as fendas micro-ciclópicas entre os tacos do chão da sala de tevê, esse universo entre a janela e o corredor, esse universo que a Rainha não esgotaria nem mesmo numa vida inteira como guerreira nômade.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

[conto] do lado de lá

DO LADO DE LÁ

(Infância.
Adolescência.
Escola/trabalho.
Vidadulta.
Marido/filhos.)

, pronto! Ana terminou o traçado meticuloso no chão (dedos já doridos de concentração), guardou no bolso do casaquinho o giz quase todo gasto, coitado, veterano de outros jogos de amarelinha. Bateu as mãos, limpou o resto do pó no vestido (esquecendo-se que a mãe iria ralhar quando visse aquela sugeira toda ), contemplou com orgulho o trabalho feito.