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terça-feira, 25 de novembro de 2014

[conto] Um Pequeno Milagre



Não tenho muita fé, mas não sei se a gente precisa mesmo ter muita fé nas coisas. Também, não sei lá muita coisa.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

[miniconto] No amanhecer do terceiro dia


[escrito para a Semana da Decomposição , na comunorkútica CONTOS FANTÁSTICOS; postado sob o pseudônimo "Felício Finório"]

Os discípulos do Mestre reúnem-se em silêncio e em segredo, encontram-se nas madrugadas gélidas da Galiléia, longe do olhar de ferro dos odiados romanos.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

[miniconto] O Brechó da Vó


[escrito para o concurso de junho/2012 da comunorkútica Contos Fantásticos - tema: "Fantasia Urbana"]

Todo mundo no velho bairro conhecia o brechó daquela velha senhora, sempre à porta da lojinha, tomando sol, fumando seu cigarrinho, trocando prosa com algum conhecido, recebendo com um sorriso gentil e sem formalidades qualquer freguês novo ou velho: as portas sempre abertas para o interior tomado por um certo cheiro a suor decantado, roupa suja amadurecida, e que não era desagradável, ainda nem todo freguês em potencial o ambiente, uma certa agorafobia de saldos de liquidação de outras épocas . Não havia traço de naftalina naquele ar quase aconchegante.

terça-feira, 6 de março de 2012

[treco] Tsc

“Comando, temos um problema, câmbio.”

terça-feira, 29 de novembro de 2011

[micro-treco] Pavloveano


Sempre que Fido rosna, seu dono engole em seco, traz imediatamente a ração e, depois de serví-la, aguarda solícito enquanto o cão come, coçando distraído a cicatriz da última dentada na perna.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

[troço] Enchendo linguiça

E, entre os fantasmas que infestam os locais de antigos matadouros, o mais grotesco talvez seja o “Guinchador”.

sábado, 3 de setembro de 2011

[miniconto] Imaculada concepção


Roberto acordara tarde naquele domingo e acordara com uma bruta enxaqueca, mais uma tremenda idéia para uma história.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

[microconto] Fresquinho, fresquinho



O senhor distinto e um tanto ansioso acenava efusiva mas mudamente para a enfermeira, através da vidraça que separava o corredor da maternidade e a sala em que berravam uma dúzia de nenês recém-nascidos.
É este?, perguntava a enfermeira inaudível, com gestos. Não,não,não, negava o senhor distinto com impaciência, apontando para a direita. Este aqui?,ela tentava, e outro se mostrava ainda mais veemente em sua negação: o da direita, direita!
Este? Ah!, e ele se abria em amplo, aliviado sorriso.
Na recepção, revelava-se novamente apressado, sacando a carteira, olhando além do balcão, onde a enfermeira preparava o nenê - foi chamado à atenção gentilmente pela moça no caixa eletrônico:
"É pra viagem, senhor?"

sexta-feira, 8 de julho de 2011

[miniconto] incondicional

INCONDICIONAL
 
Não sou sádico; longe disso.

sábado, 25 de junho de 2011

[mini-conto] animais na pista


ANIMAIS NA PISTA

Na margem da estrada, à beira do asfalto,o tatu pára: agita o focinho cônico, cheira o ar noturno,denso de umidade - agita as pequenas orelhas triangulares, tenta distinguir no coro incessante da mata que o rodeia qualquer som suspeito. Desiste, continua, o pequeno corpo encarapaçado gingando no esforço de atravessar rápido a quatro faixais da autovia.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

[micro-treco] nós avisamos

NÓS AVISAMOS


"Klaatu barada niktro KABUM."

quinta-feira, 5 de maio de 2011

[microconto] olá mundo -2.0

OLÁ MUNDO -2.0

ARPANET, circa 1990:
"Olá, Mundo."
"Ora, olá , Mundo! Como estão as coisas na Costa Oeste?"

domingo, 17 de abril de 2011

[miniconto] círculos viciosos tomada 2: de volta à foz

CÍRCULOS VICIOSOS,TOMADA DOIS: DE VOLTA À FOZ
 
Era a única maneira, o único jeito de escapar daquele complexo labiríntico de cavernas: murmurando nervoso, impulsivo, aquela cantiga cuja letra ele mal lembrava - quem a cantara?onde a ouvira, mesmo?...- o viajante empurrou a canoa frágil para dentro do rio subterrâneo, caudaloso.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

[microconto] cada coisa em seu lugar

CADA COISA EM SEU LUGAR

Antes da terapia, minha vida estava de pernas para o ar, é verdade, minha cabeça estava confusa, eu não sabia o que fazia, não sabia o que queria.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

[microconto] o monstro da semana: hidra de lerna

O MONSTRO DA SEMANA: HIDRA DE LERNA
 
O herói encontrava-se num impasse, na conquista daquele reino bárbaro: a cada soldado inimigo morto, dois surgiam , ainda mais aguerridos, para tomar seu lugar naquela guerra infindável através de charnecas pestilentas,uma barreira natural que zombava do número, da força do formidável exército invasor.

sexta-feira, 25 de março de 2011

[miniconto] o monstro da semana: homem-bomba

O MONSTRO DA SEMANA: HOMEM-BOMBA

O mestre de cerimônias foi interrompido na abertura dos trabalhos do simpósio científico pela figura indigente e alucinada do cientista louco; este empurrou-o para fora do palanque, abriu esbravejante seu casaco, exibindo à plateia perplexa sua obra-prima.

terça-feira, 22 de março de 2011

[miniconto] ele sempre volta

ELE SEMPRE VOLTA (a.k.a MONSTROS SAGRADOS 2)

[escrito para a SEMANA DO TERROR CLÁSSICO da comunorkut CONTOS FANTÁSTICOS ( sob o pseudônimo "Sigismundo Von Krapp")]

A lua cheia, a data sagrada, a conjunção cósmica - o templo milenar em ruínas:

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

[miniconto] caído

CAÍDO

O conhecimento é um fardo, o conhecimento é um peso e um grilhão. O conhecimento que cala, o conhecimento-segredo: ele não é um prêmio, tesouro, mas uma punição.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

[microconto] p.s.

P.S.

A propósito, você sente o cheiro agradável desta carta?
Não? Então aproxime mais a folha de papel de seu rosto e inspire com força.
Sentiu agora?
Pois é: você acaba de inalar os vapores de minha tinta venenosa patenteada e morrerá em questão de minutos.
Pode parar de ler agora, se quiser.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

[mini-conto] quinze anos depois

QUINZE ANOS DEPOIS

Lisa estava menos eufórica do que aliviada com a conclusão do Projeto Y- ao menos, com a conclusão de seu maior objetivo: a geração de uma leva inteira de clones adultos do espécime "V".